Por que ler Dom Casmurro?

Escrito por Machado de Assis em 1899, Dom Casmurro é um romance que faz parte dos maiores clássicos da literatura brasileira. Uma narrativa sugestionada ao máximo, carregada de humor expresso, alusões mitológicas, figuras de linguagem, expressões sentenciosas e citações literárias. Ao longo dos anos, Dom Casmurro, ganhou espaço na literatura e hoje é considerado uma obra prima de Machado, e presente na vida acadêmica de muitos estudantes. Leitura obrigatória, o clássico literário, que marcou a historia da literatura, repercute até os dias atuais. São diversas edições, livros, fóruns de discussão e filmes baseados nesta obra peculiar.
Motivos para incluir Dom Casmurro na lista de desejos literários não faltam. Esse livro não é uma boa pedida, apenas por ser bastante cobrado em vestibulares, ou por ser leitura obrigatória nas escolas. Esse livro é considerado um clássico brasileiro, mais de cem anos depois de sua publicação ainda permanece atual, e intriga quem o lê. Uma história que mescla amor, mistério e ciúmes, o escritor utiliza ferramentas de linguagem como a ironia e intertextualidade, alcançando o filósofo Schopenhauer, que não tinha pensamentos a frente de seu tempo. Dom Casmurro é uma obra que merece um lugar especial nas prateleiras, um livro pra ser lido e relido sem se cansar, até que se entenda completamente toda a genialidade de Machado de Assis. Feito de capítulos curtos, do já conhecido pessimismo amargo e das técnicas narrativas renovadoras, com por exemplos, as metalinguagens e divagações dos personagens, esse romance enriqueceu o cenário artístico da época, e continua a abrilhantar a literatura brasileira. Machado busca o trágico e sua visão em si se prende nas superficialidades aparentes, tornando sua obra completamente expressionista, sendo até hoje um de seus livros mais famosos e considerado um dos mais fundamentais de toda a literatura brasileira


A história narrada em primeira pessoa por Betinho, o personagem principal, pode ser considerada uma autopsicanálise de Bento Santiago, que viveu uma história de amor com final trágico. O único vínculo entre a narrativa presente e a suposta verdade dos fatos, é a memória do protagonista. Sendo assim, a história tem um caráter linear, de forma fragmentada. Essa linha de construção de escrita tem a intenção de incumbir ao leitor o papel de aclarar o principal ponto da narrativa: a dúvida de Bentinho, sobre o fato de ter sido, ou não, traído pela esposa Capitu com o seu melhor amigo Escobar.
Com a riqueza temática presente em Dom Casmurro, é possível ressaltar diversos casos de relevância ao longo da história. Começando por Bentinho, que mesmo jurado por sua mãe que seguiria o caminho de sacerdote, tornando-se padre, se apaixona pela vizinha podre, Capitu. O seminário separa o casal, que já havia feito juras de amor eterno. Bentinho torna-se amigo de Escobar, outro seminarista sem vocação. Posteriormente, o protagonista consegue convencer sua mãe a desistir da promessa de torná-lo podre, e vai para São Paulo, onde forma-se em direito. Ao retornar para o Rio de Janeiro, onde se passa a história, Betinho finalmente casa-se com Capitu. Enquanto Escobar casa-se com uma amiga dela, Sancha. E dessa forma inicia-se os principais conflitos da narrativa.
O nascimento do filho, Ezequiel, de Betinho e Capitu, faz ascender o principal conflito narrativo da história. O rosto de Escobar, os trejeitos, tudo é visto refletido aos olhos de Bentinho em seu filho Ezequiel. Nasce então, a dúvida do adultério. Toda a agitação da história ocorre a partir das incertezas e inseguranças do protagonista. Depois com a morte de Escobar, e a profunda tristeza provocada em Capitu, as suspeitas começaram a crescer. Por fim, Betinho decide separa-se da esposa, mandando ela e seu filho para a Suíça, aonde Capitu viria a falecer. Mais tarde o narrador começa a escrever sua autobiografia na busca de convencer-se da traição da esposa.


Ao longo dos anos, Dom Casmurro, com sua temática de ciúmes, amor, a ambiguidade de Capitu, o caráter do narrador e retrato moral da época, recebeu inúmeras análises, estudos, críticas, e adaptações para outras mídias. O livro teve diversas interpretações, influenciou outros tantos escritores, foi traduzido para outras línguas e em 2003 virou um filme, intitulado de Dom. Dirigido por Moacyr Góes, com a interpretação de Marcos Palmeira e Maria Fernanda Cândido, mostra uma abordagem contemporânea sobre ciúmes e relacionamentos.
O filme é uma leitura livre da obra de Machado de Assis, e sua aceitação perante o público não alcançou o mesmo sucesso e respeito que o livro. Com uma história bastante previsível, a narrativa é reconhecida por aqueles que leram o livro de Machado, porém o diretor do filme, apenas se inspirou em trechos e personagens de Dom Casmurro. Mesmo levando os prêmios de melhor filme, e melhor atriz, com Maria Fernanda Cândido, ambos na categoria de Longa Metragem em 35 mm, no Festival de Gramado de 2003, o filme divide opiniões, e com certeza, não conquistou a unanimidade e o respeito da obra de Machado de Assis.
Tanto tempo se passou desde a publicação de Dom Casmurro, e mesmo assim o livro continua a intrigar quem o lê, continua sendo alvo de comentários e de estudos, e as dúvidas sobre o adultério permanecem no ar. Um livro atemporal, que não tem data de validade, tornou-se um clássico, a contribuição de Machado de Assis ao motivo crucial da arte impressionista: a expressão dos sentimentos do autor da maneira mais profunda.
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